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Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

Janela fechada

Por achar que a fumaça dos incensos queimando simultaneamente era a responsável por embaçar sua vista, nem percebeu suas próprias lágrimas encherem seus olhos. Elas escorriam dos olhos, desciam pelo nariz, pelas bochechas, pelo queixo. Lágrimas sofridas pingavam no seu peito, encharcando a camiseta branca.

Não tinha certeza do motivo de estar chorando. Sentia algo estranho, um aperto no coração, uma dor de cabeça, vários pensamentos passando pela sua mente, formando uma nuvem de imagens desconexas do que acontecera, acontecia e poderia vir a acontecer. Tinha saudades de um tempo que não viveu, de um lugar que não visitou, de pessoas que não conheceu, de coisas que não fez. Lembrava dos filmes que nunca viu.

Tinha medo de sofrer. E também de fazer outros passarem por isso. Estava apenas vivendo, tentando ser feliz com aquilo que a vida oferecia. E conseguia, na maior parte do tempo, é bem verdade. Mas, em momentos como esse, quando sentava e refletia sobre seus dias, não conseguia segurar a torrente de sentimentos que chegavam ao mesmo tempo. Se perdia no abismo que é pensar e sentir.

Não se preocupava apenas com o que sentia, se preocupava com os sentimentos dos outros também. Seria tão mais fácil ser egoísta, ser ego, ser ista, mas não conseguia. Não estava em sua natureza e sua criação não permitia isso. Não que estivesse vivendo em função dos outros, sua felicidade ainda era a coisa mais importante. Porém, não conseguia simplesmente afastar os outros pensamentos por muito tempo.

Sempre procurava a ajuda dos melhores amigos, encontrava conforto nas suas palavras sinceras, se sentia melhor depois que conversava com eles. No entanto, depois que eles iam embora, ainda que fossem só pra ir ali e pra voltar logo mais, os pensamentos regressavam um a um, tornando-se uma roda-gigante, um rodamoinho de palavras, rostos e ações.

Não sabia o que fazer. Até porque, se houvesse uma solução fácil, já teria resolvido tudo. Enquanto se perdia nos pensamentos, ouviu o telefone tocar. Enxugou os olhos, percebeu a fumaça dos incensos, tossiu e atendeu o telefone. Do outro lado da linha, ouviu aquela voz conhecida de uma pessoa que lhe amava e que disse: "Abre essa janela, a primavera quer entrar". E sorriu.

Wasted by Tiago 10:37 AM


 

Tem duas coisas importantes na vida: o MOTIVO e o MOMENTO. Se você estiver com alguém pelo simples motivo, curta bem o momento, pois você poderá voltar pelo mesmo motivo, mas NUNCA será o mesmo momento!

 

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